Todo time de implantação conhece a cena: chega o dump de um cliente novo e nasce um chamado para o DBA. Criar o PDB, montar as tablespaces, conferir o charset, rodar o impdp, criar o usuário de conexão, devolver a string. Cada import atravessa dois times e anda na velocidade da fila do plantão.

Vivemos exatamente esse cenário com um cliente nosso, uma empresa de tecnologia cujo time de implantação recebe dumps Oracle de clientes com frequência. A resposta foi construir o AutoDump: uma aplicação web que executa o caminho inteiro do import de Data Pump, do download do arquivo ao usuário pronto para conectar, sem nenhuma linha de comando. Neste artigo mostro a ferramenta por dentro e o raciocínio por trás de cada escolha.

Um painel, todos os PDBs

O AutoDump conversa com um Oracle 19c multitenant e trata cada import como um ciclo de vida: o PDB nasce pela aplicação (ou entra na lista um PDB que já existe), recebe o import, ganha usuário de conexão e fica visível no painel com status, schemas importados e ações de gerenciamento. A auditoria recente e o histórico de imports moram na mesma tela: quem fez o quê, e quando, sem caçar log em servidor.

Tela principal do AutoDump: painel de PDBs gerenciados com status, auditoria recente e histórico de imports
O painel: PDBs com status, schemas importados, usuário de conexão e a trilha de auditoria logo abaixo.

Os dumps moram no Azure? O download é direto

No fluxo manual, o dump chegava por portal, era baixado na máquina de alguém, descompactado e subido para o servidor. O AutoDump corta esses saltos: os containers do Azure Blob Storage são cadastrados na própria tela, com a URL e o SAS do jeito que o portal gera, e o download roda no servidor, direto para o diretório de dumps. Pacotes .zip, .gz, .rar e .7z são descompactados automaticamente.

Dois cuidados de segurança fazem parte do desenho: o SAS precisa apenas das permissões de leitura e listagem, e fica gravado no banco da aplicação, em arquivo 0600 do usuário oracle. Depois de salvo, ele nunca volta para a tela; a interface mostra só o apelido do container e a validade, com renovação em um clique.

Cadastro de containers do Azure no AutoDump, com SAS de leitura e listagem e download direto para o servidor
Containers cadastrados com apelido, validade do SAS e permissões mínimas: ler e listar.

Modo Mágico: nome do PDB, dump e mais nada

O modo Mágico é a razão de a ferramenta existir. Quem opera informa o nome do novo PDB (ou escolhe um existente), aponta o dump no servidor, no Azure ou envia da própria máquina, e clica em importar. A aplicação baixa o arquivo, cria o PDB, analisa o dump com impdp SQLFILE, recria as tablespaces encontradas, inclusive as temporárias, e dispara o import.

Modo Mágico do AutoDump: nome do novo PDB, dump escolhido no container do Azure e import automático
Modo Mágico: o nome do PDB, o dump marcado no container e um botão.

Cada execução vira uma linha de etapas na tela: Download, PDB, Análise, Tablespaces e Import, com o passo atual sempre visível e a opção de abortar. Os processos rodam no servidor, então fechar o navegador não interrompe nada; o time acompanha de qualquer janela. Um import roda por vez, protegendo o servidor da concorrência, e os demais entram em fila. E cada ação, do login ao cadastro de container, cai na auditoria.

Import em andamento no AutoDump: etapas de download, PDB, análise, tablespaces e import, com trilha de auditoria
As etapas do fluxo, e a auditoria contando quem fez o quê, com data e hora.

No fim, usuário e TNS prontos

Terminado o import, falta o que costuma gerar mais um chamado: o acesso. O AutoDump fecha o ciclo na mesma tela, com usuários de conexão por PDB em três perfis de acesso (Completo, Somente leitura e DBA) e o bloco do tnsnames.ora pronto para copiar, com host, porta e service name do PDB.

Criação de usuário de conexão no AutoDump, com perfis de acesso e tnsnames.ora gerado automaticamente
Perfis de acesso e o tnsnames.ora gerado: o acesso sai junto com o import.

O painel passa a mostrar o PDB com o schema importado e o usuário criado. Daqui em diante o ambiente se sustenta sozinho: quem implantou conecta a aplicação sem depender de ninguém.

PDB pronto no AutoDump: schema SCOTT importado e usuário de conexão criado
PDB aberto, schema importado e usuário de conexão criado.

Modo Avançado: controle fino para quem é do ramo

Nem todo import é redondo. Para os casos com remapeamento, filtros ou dump sets grandes, o modo Avançado abre um assistente de seis passos: upload do log, criação do PDB, análise e tablespaces, importação, usuário de conexão e conexão final.

Modo Avançado do AutoDump: assistente em seis passos, do upload do log do expdp à conexão
O assistente do modo Avançado, do log do expdp à conexão.

O primeiro passo aceita o log do expdp, opcional: a aplicação extrai schemas, tablespaces, tamanhos e parâmetros e pré-preenche o resto do caminho. Sem o log, a análise do próprio dump, via impdp SQLFILE, descobre schemas e tablespaces lendo só metadados, sem importar nada. Durante a análise, o log do impdp aparece ao vivo na tela.

Análise do dump no AutoDump com o log do impdp ao vivo, via SQLFILE
Análise em execução, com o log do impdp ao vivo.

O resultado mostra o character set do dump (com o id), a origem, os schemas descobertos, as tablespaces por schema e as temporárias referenciadas pela cláusula TEMPORARY TABLESPACE do DDL, um detalhe que costuma derrubar import de quem recria tablespace só pelo nome.

Resultado da análise do AutoDump: character set, schemas e tablespaces descobertos no dump
Character set, schemas e tablespaces, incluindo as temporárias referenciadas no DDL.

Na importação, o operador escolhe os schemas e tem à mão o que o impdp oferece: REMAP_SCHEMA, REMAP_TABLESPACE, PARALLEL, TABLE_EXISTS_ACTION (SKIP por padrão) e parâmetros extras livres, um por linha, como TRANSFORM=DISABLE_ARCHIVE_LOGGING:Y. É o mesmo motor do modo Mágico, com as alavancas expostas.

Importação no modo Avançado do AutoDump: schemas, REMAP_SCHEMA, REMAP_TABLESPACE, PARALLEL e TABLE_EXISTS_ACTION
As alavancas do impdp expostas no passo de importação.

O que muda para o time

EtapaNo fluxo manualCom o AutoDump
Chegada do dumpDownload no desktop, descompactação e upload para o servidorDireto do container do Azure para o servidor, já descompactado
PDB e tablespacesCriados à mão, adivinhando estruturas pelo logCriados pela aplicação a partir da análise do dump
Importimpdp no terminal, acompanhado por tail no logDisparado na tela, com etapas, fila e log ao vivo
AcessoScript SQL de usuário e tnsnames montado à mãoPerfis prontos e tnsnames.ora gerado
RastreabilidadeHistórico espalhado em chamados e terminalAuditoria de cada ação na própria tela

O efeito prático é a mudança de dono: o import de dump deixou de ser tarefa de DBA e virou rotina do próprio time de implantação, self-service do início ao fim. O DBA entra onde agrega de verdade: no desenho, nas exceções e na evolução da ferramenta.

Automação sob medida é consultoria, não produto de prateleira

O AutoDump não saiu de um catálogo. Nasceu dentro da rotina de um time específico, com as dores dele: dumps no Azure, ambiente 19c multitenant, gente experiente em implantação e sem tempo para virar operador de banco. É por isso que a ferramenta acerta: cada tela espelha um passo que antes era chamado, e cada decisão de segurança, do SAS fora da tela aos perfis de acesso, veio de conversa com quem opera.

Esse é o mesmo raciocínio das nossas frentes de projetos e sustentação: entender o fluxo, automatizar o repetitivo e deixar o especialista onde ele faz diferença.

Perguntas frequentes

O que é o AutoDump?

É uma aplicação web construída pela Furushima para automatizar o import de dumps do Oracle Data Pump em ambiente 19c multitenant: ela cria o PDB, recria as tablespaces a partir da análise do dump, executa o impdp e entrega usuário de conexão e TNS prontos.

De onde a aplicação busca os dumps?

Do próprio servidor, de upload feito pela tela ou de containers do Azure Blob Storage cadastrados com SAS de leitura e listagem. Pacotes .zip, .gz, .rar e .7z são descompactados automaticamente, e o SAS fica guardado no servidor, sem nunca voltar para a tela.

Preciso dominar o Data Pump para usar?

Não. No modo Mágico basta dar o nome do PDB e escolher o dump: análise, tablespaces e import acontecem sozinhos. Quem é do ramo pode usar o modo Avançado, com REMAP_SCHEMA, REMAP_TABLESPACE, PARALLEL, TABLE_EXISTS_ACTION e parâmetros extras do impdp.

A Furushima constrói automações assim para outros cenários?

Sim. O AutoDump nasceu dentro de um projeto de consultoria, desenhado para o fluxo daquele time. Construímos automações sob medida para rotinas de banco de dados, cloud e operação, sempre com auditoria e segurança de acesso no desenho.

O AutoDump virou rotina no time que o encomendou, e o resumo dessa história está na nossa página de cases. Se a sua operação também tem uma rotina repetitiva esperando automação, conheça a frente de projetos e arquitetura de banco de dados e a consultoria de cloud, ou fale direto com um especialista: você descreve o fluxo e sai da conversa com um caminho honesto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *